quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Soneto 108 (Luís de Camões)



Erros meus, má fortuna, amor ardente
em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobraram,
que para mim bastava o amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
a grande dor das coisas que passaram,
que as magoadas iras me ensinaram
a não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
dei causa que a Fortuna castigasse
as minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse que fartasse
este meu duro gênio de vinganças!

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