quarta-feira, 21 de junho de 2017

"Batalha Intermediária" ( By John Paul Mafra)




A tempestade se aproxima
Vai se armando um vendaval


Tudo de que preciso está comigo,
para o bem e para mal,
Num só juízo,
a um só tempo,
sou a estratégia, o inimigo
e o general


Sob a farda régia
Há um ombro lacerado
Sobre o chão da minha bota
Há um joelho que se verga
E em meio ao peito
Varado pela lança de batalha
Há um punhado de esperança que não se esgota
E um coração cortado por uma navalha cega

Feita de vitórias e mortalha
De temores e de desejo
De inferno e de céu
De feiura, de Beleza
A vida exige o manejo firme
De martelo e cinzel.
Com a mesma destreza,
a violência da espada
e a delicadeza do pincel.


Dá-me, Vida, pois, pés de correr - que tenho pressa
Dá-me, Vida, então, pés de dançar - que tenho ânsia de belo
Dá-me força para terminar
A minha humilde história que
Longe da festiva Glória
ainda nem chegou ao prelo.


Dá-me força e coragem para embarcar
no trem que me leva à terra desconhecida
Sem que haja sombra de gente a me acenar
No momento tão pungente da partida

Ai!, razão, coluna de alabastro, meu bastião,
Sopra ao vento essa algaravia que me dita
esse demônio que me fareja o rastro
E quase que me toma pela mão


Vem tu, sabedoria, dar-me sustento nessa hora
Há uma harpia deitando olhos ávidos
Sobre o pão magro que trago como previsão.


Grito, mas só ouço o eco, inútil redarquição
Arremedo infecundo de um assombro mesquinho
O Eu é uma estação solitária, cadinho que ferve
Todas as dores do mundo.

Nenhum comentário: